Luiz Teixeira, médico e réu no caso envolvendo a família Di Genio, pediu para seguir um promotor no Instagram, segundo prints anexados à denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A promotoria interpretou publicações do médico como possível escárnio à Justiça.
O caso trata de uma suposta tentativa de golpe contra a família do fundador do Grupo Unip-Objetivo, João Carlos Di Genio. A acusação menciona um negócio relacionado à venda de uma fazenda em Piraju.
Teixeira foi alvo de uma operação do MP em março de 2026 e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça em 15 de outubro. Ele também publicou nas redes sociais informações sobre sua trajetória profissional e sua relação com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
A defesa nega que o médico tenha pretendido afrontar o Judiciário ou o Ministério Público e afirma que contestará a decisão de prisão. O caso reúne questionamentos sobre as publicações, a formação profissional de Teixeira e as acusações apresentadas pelas autoridades.
Publicações no Instagram e acusações do Ministério Público
Em setembro de 2026, Luiz Teixeira foi marcado em uma publicação da Clínica Gianoto, em Alphaville, e curtiu o conteúdo. O consultório se apresenta como especializado em K-Beauty, descrita como medicina estética avançada da Coreia do Sul.
De acordo com prints anexados à denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Teixeira também publicou stories sobre sua atuação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A assessoria do tribunal informou que seu cadastro como auxiliar de biomedicina esteve válido de abril de 2024 a abril de 2025.
A promotoria afirmou que as publicações poderiam configurar um ato de escárnio contra a Justiça. A defesa respondeu que Teixeira não pretendia afrontar ou ridicularizar o Judiciário nem o Ministério Público e que as postagens apresentavam aspectos de sua trajetória profissional, acadêmica e pessoal.
Trajetória profissional e apresentação nas redes sociais
O perfil de Teixeira no Instagram reúne cerca de 50 mil seguidores. Na biografia, ele menciona uma especialidade em cirurgia capilar e se apresenta como adido consular de saúde ligado ao Consulado do Chipre.
Entre as imagens republicadas pelo médico estão fotos com João Doria, Roberto Justus, Patrícia Abravanel e Pablo Marçal. Ele também já publicou registros com Tarcísio de Freitas, André do Prado, Arthur Lira, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Felipe Prior.
Desde ao menos 2019, quando divulgou o livro The Neoplasia, Teixeira se apresenta como “doutor”. O registro público do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) aponta que ele se graduou em medicina em 2025; a defesa afirma que sua trajetória na saúde começou antes, com formação em biomedicina em 2011.
Uma clínica médica ligada ao influencer foi responsável por um laudo publicado por Pablo Marçal durante as eleições de 2024, usado para tentar associar Guilherme Boulos ao uso de drogas. Após a denúncia do MP, a defesa negou participação na controvérsia; o Ministério Público Federal (MPF) também denunciou Teixeira em 2017 por apresentar um diploma falso ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).
Acusações no caso Di Genio e posição da defesa
Segundo a promotoria, a Colonizadora Planalto Paulista, empresa da qual Teixeira é sócio, teria forjado um negócio de R$ 635 milhões relativo à venda de uma fazenda em Piraju para a família Di Genio. Atualizado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o valor corresponde a cerca de R$ 1 bilhão.
João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Unip-Objetivo, deixou um patrimônio estimado em R$ 100 bilhões. A família afirma que a herança é alvo de disputas e de tentativas de golpe, enquanto Teixeira e outros réus foram descritos pelo juiz Guilherme Kellner como parte de um “núcleo foragido”.
Na operação do MP realizada em março de 2026, Teixeira não foi localizado e foi considerado foragido por cinco dias, período de validade do mandado autorizado pela Justiça naquela ocasião. A defesa sustenta que a prisão preventiva foi decretada depois de o Judiciário ter negado anteriormente a necessidade da medida por falta de risco concreto.
O advogado Gustavo Mayeda afirmou que a decisão será contestada pelos meios legais e que Teixeira tem endereço conhecido nos autos, prestou depoimento quando chamado e permanece à disposição da Justiça. A defesa diz confiar que a análise dos documentos originais e o contraditório judicial esclareçam os fatos, mas não comenta detalhes das provas nem a atuação de outras partes por se tratar de processo em andamento.


