Jandira, Santana de Parnaíba e Barueri estão entre as 30 cidades mais seguras do Brasil, segundo o Anuário Cidades Mais Seguras do Brasil 2026, elaborado pela MySide. A classificação considera taxas estimadas de assassinatos por 100 mil habitantes.
Divulgado em 20 de outubro de 2026, o levantamento usa dados de mortalidade de 2025. As informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, são combinadas com dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As três cidades da região metropolitana de São Paulo integram uma lista em que o Estado concentra 18 dos 30 municípios. O anuário também compara os resultados com a edição anterior, baseada em dados de 2024.

A reportagem reúne ainda indicadores de crimes patrimoniais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e pelas prefeituras. Esses registros têm períodos e critérios diferentes dos usados no ranking, que mede violência letal.
Posições das cidades da região e mudanças em relação a 2025
Entre as cidades mais seguras do Brasil, Jandira ficou em 10º lugar nacional, com taxa de 3,8 assassinatos por 100 mil habitantes. Santana de Parnaíba alcançou a 13ª posição, com índice de 4,3, e Barueri ficou em 23º, com 5,8; no ranking paulista, elas ocuparam, respectivamente, o 6º, o 9º e o 15º lugar.
Na comparação com a edição de 2025, baseada em dados de 2024, Jandira avançou do 17º para o 10º lugar, enquanto sua taxa caiu de 5,76 para 3,8 mortes por 100 mil habitantes, redução aproximada de 34%. Barueri manteve a 23ª colocação e passou de 6,4 para 5,8, queda de cerca de 9%.
Santana de Parnaíba recuou da 4ª para a 13ª posição nacional, com a taxa subindo de 2,9 para 4,3 assassinatos por 100 mil habitantes, aumento aproximado de 48%. A mudança de posição também depende das variações observadas nas demais cidades, e as comparações entre edições consideram estimativas populacionais e ajustes estatísticos.
O top 15 nacional foi liderado por São Caetano do Sul (SP), com 1,9 morte por 100 mil habitantes, seguida por Salto (SP), com 2,2, e Blumenau (SC), com 2,4. Depois aparecem Jaraguá do Sul (SC), 2,5; Santa Bárbara d’Oeste (SP), 2,7; Pelotas (RS), 2,8; Itatiba (SP), 3,2; Atibaia (SP), 3,6; Cachoeirinha (RS), 3,7; Jandira (SP), 3,8; Franca (SP) e Valinhos (SP), ambas com 3,9; Santana de Parnaíba (SP), 4,3; Botucatu (SP), 4,4; e Americana (SP), 4,5.
Classificações por faixa populacional incluem Barueri e Osasco
Na classificação de municípios com população entre 200 mil e 500 mil habitantes, Barueri ficou em 7º lugar, com taxa de 5,8 assassinatos por 100 mil moradores. Blumenau liderou a faixa, com 2,4, seguida por Jaraguá do Sul, com 2,5, e Pelotas, com 2,8.
Entre as cidades paulistas desse grupo, Franca, Americana e Indaiatuba ficaram à frente de Barueri. Na edição anterior, o município ocupava a 5ª posição entre cidades de porte semelhante, portanto perdeu dois lugares apesar da redução na taxa de violência letal.
Osasco aparece na faixa de 500 mil a um milhão de habitantes, na 6ª colocação nacional, com 10,4 assassinatos por 100 mil pessoas. São José dos Campos liderou essa categoria, com 4,7, seguida por Joinville, com 5,4, e Juiz de Fora, com 8,0.
Em 2025, Osasco estava em 5º lugar nessa faixa populacional, com taxa de 8,96 mortes por 100 mil habitantes; na edição de 2026, perdeu uma posição e teve alta no indicador. São Bernardo do Campo ficou em 4º, com 8,9, e Ribeirão Preto em 5º, com 10,1.
Dados municipais mostram variações em crimes patrimoniais
Os registros da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) apontam que Barueri teve 669 roubos em 2025, 17% a menos que em 2024. Segundo a prefeitura, foi o menor total da série iniciada em 2001, quando houve 962 ocorrências; também foram registradas quedas de 41% nos roubos de carga e de 5% nos roubos e furtos de veículos.
Em balanço divulgado em fevereiro de 2026, a administração municipal informou que Barueri não registrava latrocínios desde março de 2020. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, foram contabilizados 107 roubos, redução de 16,4% ante o mesmo período de 2025 e o menor número da série histórica para esses meses, de acordo com a prefeitura.
Em Santana de Parnaíba, os roubos de veículos caíram 77,78% no segundo trimestre de 2026: foram duas ocorrências, contra nove no mesmo intervalo de 2025. Os furtos de veículos recuaram 45%, de 20 para 11 casos, segundo balanço municipal divulgado em agosto.
No primeiro semestre de 2026, Santana de Parnaíba registrou 19 furtos de veículos, ante 27 nos seis primeiros meses de 2025, redução de 29,63%. A prefeitura também informou que não houve roubo de carga no período, enquanto três casos tinham sido registrados no primeiro semestre de 2025; esses balanços não fazem parte do cálculo do anuário e abrangem períodos diferentes.
O que o ranking mede e quais são seus limites
O anuário considera municípios com pelo menos 100 mil habitantes e estima a taxa de assassinatos por 100 mil moradores. Para isso, a MySide combina dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, com informações populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao contrário de levantamentos baseados em registros policiais, a classificação usa declarações de óbito e causas de morte conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-10). As mortes são atribuídas ao município onde ocorreram, que pode não ser a cidade de residência da vítima.
A metodologia aplica um fator de correção para estimar possíveis homicídios entre mortes violentas cuja intenção não foi esclarecida. Por esse motivo, o resultado é uma estimativa estatística e não equivale necessariamente às estatísticas de homicídios dolosos divulgadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública.
Furtos, roubos, violência doméstica, violência sexual sem desfecho fatal e golpes não entram diretamente no indicador, que também não mede a sensação de segurança nem as diferenças entre bairros. A MySide ressalta que a classificação, por si só, não permite atribuir os resultados a uma política pública; além disso, os dados de mortalidade de 2025 podem passar por revisões durante a consolidação dos registros oficiais.


